Em tempos de excesso de informação e escassez de empatia, algumas canções não pedem atenção — exigem escuta. “Elegia da Distonia Urbana”, novo trabalho de Eldevan, nasce como um desses raros registros artísticos que não se contentam em entreter: eles confrontam.
A música percorre episódios que o brasileiro reconhece de imediato, ainda que prefira esquecer. Crises financeiras que deixam rastros invisíveis, atos de violência banalizados, vidas interrompidas por futilidades e uma classe trabalhadora exausta, tentando sobreviver entre jornadas longas e promessas vazias.
A força da canção está na maneira como transforma o factual em simbólico. Não há nomes, datas ou manchetes explícitas — há sensações. O vazio após o colapso, o silêncio depois da agressão, o tempo suspenso entre a vida e a morte, e, por fim, o cansaço coletivo que ecoa nas ruas quentes do país.
Musicalmente, Eldevan aposta na fusão entre Rock e Synthwave para criar um ambiente sonoro que dialoga com a frieza dos sistemas e o calor humano das ruas. O resultado é uma faixa densa, desconfortável e necessária.
“Elegia da Distonia Urbana” não oferece respostas fáceis. Ela existe para lembrar que, enquanto não ouvirmos os sinais, a cidade continuará desafinada — e nós com ela.
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