Em tempos de luz elétrica e pressa urbana, “Caritó”, nova composição de Eldevan Lobo, resgata a chama antiga da lamparina como símbolo de resistência, fé e pertencimento. A música mergulha na paisagem árida do Sertão nordestino para contar uma história que poderia ser de ontem — ou de cem anos atrás.
A narrativa atravessa a madrugada marcada por visagens, passos no mato e memórias do cangaço que ainda ecoam sob a lua sertaneja. Mas não é o medo que conduz a canção — é a fé.
Entre a lida na roça, o burrinho na carroça e o almoço simples de farinha de puba, o personagem central reafirma sua sina com dignidade. A cada amanhecer, há luta. A cada entardecer, há gratidão. E a cada noite, a lamparina é acesa como um ritual de esperança.
“Caritó” não é apenas um forró. É um retrato social cantado, um cordel musicado que valoriza o cotidiano, a religiosidade popular e a força do povo nordestino. A produção respeita a tradição do forró pé-de-serra, destacando sanfona, zabumba e triângulo, criando uma atmosfera sonora que transporta o ouvinte diretamente para o terreiro iluminado pela lua.
Eldevan Lobo reafirma, com essa obra, seu compromisso com a cultura brasileira raiz — provando que a verdadeira luz do Sertão nunca se apaga.
Comentários
Postar um comentário
Comente, dê sua opinião, ela é muito importante para nos.